24/03/2015

Bicho de Estimação -  Idoso Conta Com Doações Para Cuidar De 250 Animais

O aposentado Enio Malaquini, de 78 anos, acredita que tem uma missão: cuidar de animais abandonados em São Carlos (SP). Na chácara de sete mil metros quadrados, no Jardim Tangará, ele abriga cerca de 170 gatos e 80 cães, que recebem alimento, banho e muito carinho. A dedicação do idoso é tão grande que ele usou R$ 60 mil que recebeu de seguro, após perder a visão do olho direito, e outros R$ 60 mil da venda de um imóvel para tratar dos bichos ao longo dos anos. O dinheiro acabou, mas a vontade não. Atualmente, ele investe a renda mensal, que não chega a R$ 2 mil, e conta com doações para tentar dar uma vida digna aos 'filhos de quatro patas'.

"Não é fácil, mas sempre aparece alguém para ajudar com um pouco de ração. Às vezes, a situação está difícil, mas aí aparece uma solução. Não posso reclamar, pelo contrário, tenho muita sorte, porque tudo acaba se ajeitando. Faço tudo com muito prazer e só vou parar quando morrer", diz Malaquini, que começou sua missão 31 anos atrás e que conta com ajuda e o companheirismo da mulher na sua tarefa diária.

O idoso, que recebe um salário mínino da aposentadoria, continua trabalhando como vendedor de caixas de papelão para complementar a renda. Tira cerca R$ 1,2 mil na função, mas tem gastos com combustível e pedágio durante as viagens. O que sobra, compra alimentos para manter a casa onde vive com a mulher e o restante é investido na manutenção dos animais.

Desafios

Por mês, ele compra cerca de 15 sacos de 25 quilos de alimento para gatos e outros 20 sacos para os cães. "Tem gente que ajuda como pode. Os cães não comem qualquer tipo de ração, então procuro comprar uma com mais vitaminas e misturo com as que recebo. Um saco chega a custar até R$ 80 e dá apenas para um dia de alimentação", explicou.

Comida é apenas um dos desafios que o aposentado tem para manter os animais que, muitas vezes, chegam ao local doentes e necessitam urgente de tratamento. Mais uma vez a solidariedade das pessoas contribuem para que Malaquini dê assistência aos bichos. "Levo sempre em dois veterinários que não cobram a consulta, apenas quando precisa de alguma intervenção mais séria. Ainda assim fazem um valor mais em conta", relatou.

A lista de gastos com remédios também preocupa. Segundo ele, alguns animais têm cinomose e parvovirose, doenças caninas que podem levar à morte, pneumonia, estresse, fora pulgas e carrapatos, que precisam de combate constante. "Por isso, o problema maior ainda é o dinheiro. Faço uma dívida, tento cobrir, depois aparece outra e assim vou levando", disse.

Amor pelos bichos

O cuidado com os bichos começou durante as viagens que Malaquini fez por várias regiões do país. Quando encontrava algum animal atropelado, colocava no carro e levava a um veterinário para tentar salvar mais uma vida. Com o tempo, ele passou pegar os bichos que encontrava abandonados na rua. Se percebia que não tinha dono, estava magro ou maltratado, levava para casa.

Todos os cães e gatos mantidos na chácara são castrados e vacinados. Eles também tomam vermífugos quando o aposentado percebe que há algo errado. O idoso e a mulher dão banho semanalmente nos cães.

Tanto o canil, quanto o gatil improvisados foram construídos pelo casal com materiais que seriam descartados em ferro-velho. Malaquini disse que a família está acostumada a aproveitar o que os outros acham que não tem mais serventia.

O aposentado explicou que ao chegar à chácara, o cão fica sozinho em um espaço durante um período para que os demais o vejam.

“Quando todos acostumam e os vejo abanando o rabo, sei que gostaram, então coloco junto e aí não tem briga. Com gato não há problemas, os outros vêm perto e rodeiam o novo morador”.

Os animais estão disponíveis para adoção, mas poucas pessoas aparecem por lá para levá-los para casa. Os telefones para quem deseja ajudar são (16) 99294-6622 ou 99157-6377.

fonte: G1

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